Ceará registra média de 430 denúncias de violência física contra crianças por mês

Ceará registra média de 430 denúncias de violência física contra crianças por mês

O Ceará registrou 2.619 denúncias de violência física contra crianças de até 11 anos no primeiro semestre de 2026, o equivalente a uma média de 430 casos por mês.

Os dados, compilados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) por meio da plataforma Disque 100, apontam ainda que 75% das agressões ocorreram dentro da residência onde a vítima vive com o suspeito.

Segundo especialistas, o aumento no número de denúncias está relacionado à ampliação da conscientização da população sobre os diferentes tipos de violência contra crianças e aos canais disponíveis para denúncias, e não necessariamente a um crescimento dos casos.

A supervisora do Núcleo de Atendimento da Infância e da Juventude da Defensoria Pública do Ceará, Noemia Landim, afirma que a maior circulação de informações tem contribuído para que mais pessoas reconheçam situações de violência e procurem os órgãos competentes.

Ainda de acordo com os dados, os maus-tratos lideram as ocorrências registradas, com 1.617 denúncias, seguidos pelas agressões físicas, que somaram 888 casos.

Violência ocorre, principalmente, dentro de casa

O levantamento revela que três em cada quatro episódios de violência física contra crianças acontecem na própria residência da vítima, tendo como suspeitos pais, mães, avós ou outros parentes próximos.

Para especialistas, esse cenário reforça a importância das denúncias feitas por vizinhos, familiares, professores e demais pessoas que convivem com a criança, já que, muitas vezes, os responsáveis pela proteção são os próprios agressores.

Noemia Landim destaca que as denúncias podem partir de qualquer pessoa que identifique sinais de violência, permitindo que os órgãos de proteção interrompam o ciclo de agressões.

Impactos vão além das lesões físicas

Além das marcas provocadas pelas agressões, especialistas alertam para os efeitos psicológicos e emocionais da violência na infância.

Segundo a psicóloga infantojuvenil Adrielle Lima, experiências traumáticas nessa fase podem comprometer o desenvolvimento emocional e social da criança, favorecendo comportamentos de insegurança, isolamento ou até a reprodução da violência na vida adulta.

Ela ressalta que interromper o ciclo de agressões e oferecer acompanhamento psicológico às vítimas são medidas fundamentais para reduzir os impactos do trauma e evitar que a violência seja perpetuada entre gerações.

Como denunciar

Casos de violência contra crianças podem ser denunciados de forma presencial, nas delegacias especializadas e nos Conselhos Tutelares, ou de maneira anônima por meio do Disque 100, disponível por telefone e também via WhatsApp.

O Ministério Público e a Defensoria Pública também recebem denúncias relacionadas à violação dos direitos de crianças e adolescentes.

Com informações de OPovo